O Estadiamento do Câncer é necessário para classificar a extensão da doença maligna. A partir dele, podemos determinar o prognóstico do paciente, planejar o tratamento adequado e avaliar os resultados do tratamento. Além disso, há a tentativa de universalização da linguagem científica. O tumor de laringe no estadio III no Brasil é semelhante àquele de estadio III na China. Assim, torna-se possível trocar informações entre centros de tratamento e facilitar a pesquisa contínua.

O sistema para estadiamento do câncer mais utilizado é o TNM (Tumor, Nodes ou linfonodos, Metástases), criado por Pierre Denoix (França) entre 1943 e 1952. Em 1958, a UICC (Union for International Cancer Control) publicou as primeiras recomendações para a classificação clínica de estágios de câncer de mama e laringe. Mais tarde, o sistema também foi adotado pela AJCC (American Joint Committee on Cancer). Desde então, o sistema TNM passou por várias revisões e atualizações, com a oitava edição publicada em 2017.
De acordo com UICC, os objetivos da classificação TNM são:
- Auxiliar no planejamento do tratamento;
- Fornecer uma indicação de prognóstico;
- Auxiliar na avaliação dos resultados do tratamento;
- Facilitar a troca de informações entre centros de tratamento;
- Contribuir para investigações contínuas de malignidades humanas;
- Apoiar atividades de controle do câncer, inclusive por meio de registros de câncer.
Veja mais sobre o estadiamento do câncer.
Como funciona o Estadiamento do Câncer de acordo com o TNM?
Observa-se que as taxas de sobrevida são maiores para casos em que a doença está localizada do que para aqueles em que a doença se estendeu além do órgão de origem (metástases). O sistema classifica a extensão anatômica da doença em três componentes principais:
- T – local e o tamanho do tumor primário;
- N – envolvimento dos linfonodos regionais;
- M – presença ou não de disseminação metastática distante.
A adição de números a esses componentes indica a extensão da doença maligna, por exemplo, T1, T2, T3, T4, N1, N2, N3, M0, M1…
A classificação clínica (cTNM) é baseada em exames físicos, estudos de imagem e outros testes diagnósticos realizados antes do tratamento. Já a classificação patológica (pTNM) é determinada após a cirurgia e análise histológica do tumor removido.
Após cada item ser avaliado, as notas são unidas em uma classificação mais geral, denominado estadiamento clínico que em geral varia de I à IV. Por exemplo, um câncer de laringe com paralisia de prega vocal (T3), com linfonodo suspeito unilateral (N1), sem metástases distantes (M0) é classificado como Estadio III. A partir disso, decisões terapêuticas e de seguimento serão tomadas.
O estadiamento do câncer pelo sistema TNM é amplamente utilizado em todo o mundo e é atualizado periodicamente para refletir os avanços na compreensão e tratamento do câncer.
Veja também: O Medo do Câncer
Referências
- UICC. Classificação TNM de tumores malignos. Acesso em Jan/25.